Como funciona um desaerador: eficiência e proteção para sistemas de caldeiras

Como funciona um desaerador: eficiência e proteção para sistemas de caldeiras

Em sistemas de geração de vapor, o desaerador é um dos componentes mais importantes para a confiabilidade e longevidade da caldeira. Ele tem a função de remover gases dissolvidos na água de alimentação, principalmente oxigênio (O₂) e dióxido de carbono (CO₂), que são os principais agentes da corrosão em tubos, válvulas e trocadores de calor.

Esses gases, quando presentes, reagem com o ferro e o aço formando óxidos e enfraquecendo estruturas metálicas. Com o tempo, isso pode gerar vazamentos, perda de eficiência térmica e até falhas graves no sistema.

O desaerador, portanto, atua como uma barreira preventiva, assegurando que a água que entra na caldeira esteja livre de impurezas gasosas e em condições ideais para transferência de calor.

Como funciona um desaerador?

O princípio da desaeração se baseia em duas ações combinadas: aquecimento e contato entre vapor e água.

A lógica se baseia no conceito de que, quanto mais quente a água, menor sua capacidade de reter gases dissolvidos. Assim, ao aquecer a água de alimentação com vapor, o desaerador força a liberação desses gases, que são então removidos por ventilação controlada.

Na prática, o processo ocorre em três etapas:

  • Pré-aquecimento da água de alimentação – a água fria entra no desaerador e entra em contato com o vapor vivo.
  • Liberação dos gases dissolvidos – o aumento de temperatura reduz a solubilidade do oxigênio e do CO₂, que são expelidos para a atmosfera através de uma torre de desaeração.
  • Armazenamento e estabilização – a água aquecida e desaerada é armazenada em um tanque sob pressão, pronta para ser bombeada à caldeira.

Essa operação ocorre de forma contínua e controlada, mantendo a temperatura e a pressão em faixas precisas para garantir eficiência máxima.

Detalhe de desaerador vertical em unidade industrial, mostrando reservatório pressurizado e conexões responsáveis pela remoção de oxigênio da água.

Tipos de desaeradores

Os desaeradores podem variar de acordo com a aplicação e o nível de pressão da caldeira, mas os dois principais tipos utilizados na indústria são:

1. Desaerador de bandejas (ou tipo bandeja)

  • Possui bandejas perfuradas por onde a água é distribuída em forma de filme fino.
  • O vapor sobe entre as bandejas, removendo os gases dissolvidos de forma eficiente.
  • É amplamente utilizado em caldeiras de média e alta pressão, devido à sua alta taxa de remoção de oxigênio.

2. Desaerador de spray

  • A água entra em forma de spray através de bicos pulverizadores, que aumentam a área de contato com o vapor.
  • O processo é mais simples e compacto, sendo indicado para sistemas de menor porte ou baixa pressão.
  • Apesar de menor eficiência, possui fácil manutenção e baixo custo de instalação.

Em aplicações industriais complexas, como nas indústrias de energia, papel e celulose, química e sucroenergética, muitas plantas adotam configurações híbridas, combinando elementos de ambos os tipos para maior estabilidade operacional.

Como avaliar se o desaerador está operando corretamente?

A eficiência de um desaerador está diretamente relacionada à quantidade de oxigênio residual na água após o processo.

De acordo com normas da ABMA (American Boiler Manufacturers Association), um bom desaerador deve manter teor de oxigênio abaixo de 7 ppb (partes por bilhão), garantindo praticamente zero risco de corrosão.

Sistema de desaeração de água de alimentação de caldeira em área industrial, com tanque horizontal, torre de pulverização e tubulações de vapor.

Sinais de que o desaerador pode estar com falhas

  • Aumento do oxigênio dissolvido na água (detectável por analisadores portáteis ou laboratoriais).
  • Ruídos irregulares ou vibrações na torre de desaeração.
  • Flutuações anormais na pressão ou temperatura.
  • Presença de espuma ou bolhas persistentes no tanque de armazenamento.
  • Corrosão visível em válvulas e linhas de alimentação.

Manter registros de operação e inspeções regulares é fundamental para detectar qualquer anomalia no desempenho do desaerador.

Manutenção preventiva e boas práticas de operação

A manutenção adequada é determinante para prolongar a vida útil do desaerador e evitar falhas que comprometam a caldeira.

Boas práticas recomendadas:

  • Inspecionar o sistema a cada parada programada (normalmente a cada 6 meses);
  • Verificar bicos de spray ou bandejas quanto a entupimentos ou corrosão;
  • Manter válvulas de alívio e respiro em bom estado para evitar acúmulo de gases;
  • Calibrar sensores de temperatura e pressão regularmente;
  • Evitar alimentação com água fria ou contaminada, que pode gerar choque térmico e corrosão localizada.

Desaerador industrial instalado em planta de geração de vapor, com tubulações e estrutura metálica integradas ao sistema de caldeira.

Benefícios do desaerador na operação de caldeiras

Os ganhos operacionais de um desaerador eficiente vão muito além da prevenção da corrosão.

Veja os principais:

  • Aumento da eficiência térmica da caldeira: a água quente e livre de gases exige menos energia para vaporização.
  • Maior durabilidade dos componentes: tubos, válvulas e trocadores sofrem menos desgaste.
  • Redução de custos de manutenção: menor ocorrência de vazamentos e substituições.
  • Maior segurança operacional: reduz o risco de rupturas e acidentes por corrosão interna.
  • Melhor estabilidade no controle de vapor: menor variação de pressão e temperatura no sistema.

Empresas que mantêm programas de inspeção e desaeração adequados prolongam o ciclo de vida de seus ativos e garantem a confiabilidade global do sistema térmico.

Desaeração é sinônimo segurança industrial

O desaerador é um equipamento simples em conceito, mas importantíssimo para a eficiência energética e segurança das caldeiras industriais. Ao eliminar gases corrosivos e estabilizar as condições de operação, ele certifica que o sistema funcione com máximo desempenho, menor custo e maior confiabilidade.

Manter o desaerador em bom estado é investir na longevidade da planta e na tranquilidade de quem depende do vapor para produzir com qualidade e segurança.

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