A mineração é, provavelmente, o ambiente industrial mais exigente que um redutor de velocidade pode enfrentar, pois envolve:
Qualquer falha num equipamento crítico da cadeia produtiva (uma correia transportadora, um moinho, uma recuperadora) pode paralisar a operação inteira, causando grandes prejuízos.
O problema é que a maioria dos redutores industriais disponíveis no mercado foi projetada para aplicações gerais. Eles funcionam bem em condições controladas, com regimes de carga previsíveis e paradas regulares para manutenção. Quando colocados numa planta de mineração em regime contínuo, esses equipamentos começam a trabalhar fora das condições para as quais foram dimensionados, e o resultado é desgaste prematuro, óleo degradado, paradas não programadas e manutenção corretiva cara.
O RSG "For Mining" da Zanini Renk foi desenvolvido para resolver exatamente esses problemas. Se trata de uma arquitetura projetada especificamente para as condições severas da mineração, com gestão térmica ativa, sistema de filtragem e circulação de óleo, e monitoramento em tempo real integrado ao redutor.

Três fatores combinados fazem da mineração um ambiente particularmente destrutivo para redutores industriais:
Redutores em regime contínuo geram calor pela dissipação de energia mecânica no engrenamento e nos rolamentos. Em operações 24/7 esse calor não tem tempo de dissipar entre ciclos. O óleo lubrificante absorve parte dessa energia térmica e, quando a temperatura excede seus limites de estabilidade, começa a degradar: a viscosidade cai, a película protetora entre os dentes das engrenagens fica mais fina, e o desgaste acelera de forma exponencial.
Mineração significa muita poeira, com partículas de minério, quartzo e sílica em suspensão no ar, os sistemas de vedação convencionais não conseguem impedir que elas cheguem ao óleo. Uma vez no lubrificante, essas partículas abrasivas funcionam como um agente de desgaste interno, danificando a superfície dos rolamentos e das engrenagens a cada ciclo de operação.
Britadores de mandíbula, de cone ou giratórios geram picos de torque toda vez que um bloco de rocha de tamanho variável entra na câmara de britagem. Peneiras vibratórias submetem o redutor a ciclos de vibração contínuos. Moinhos de bola têm arranques pesados e variações de carga dependendo do nível de enchimento. Esses choques, repetidos milhões de vezes ao longo da vida do equipamento, fatigam os componentes internos de redutores dimensionados para cargas uniformes.
Manutenção representa, segundo dados do setor, cerca de 30% a 50% dos custos operacionais em mineração. Redutores mal dimensionados ou inadequados para o regime contribuem diretamente para esse número.
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Para redutores de velocidade industriais de propósito geral, a gestão térmica costuma ser passiva, ou seja, depende da convecção natural do ar sobre a carcaça para dissipar calor. Em ambientes abertos com temperatura ambiente controlada, isso é suficiente. Numa planta de mineração, onde o equipamento pode operar em galpões fechados, sob sol direto em regiões tropicais, ou próximo a outros equipamentos que geram calor, a dissipação passiva não garante temperatura estável do óleo.
Os sistemas de lubrificação básicos (banho de óleo por imersão sem circulação forçada ou filtragem) tampouco foram projetados para ambientes com alta carga de contaminantes. O óleo recircula dentro do carter, mas partículas contaminantes que entram não saem. Sem filtragem contínua, a contaminação acumula até atingir níveis que aceleram o desgaste dos componentes internos.
A degradação térmica do óleo merece atenção especial porque é o principal acelerador do desgaste em rolamentos e engrenagens. Acima de 80°C, a maioria dos óleos minerais convencionais começa a perder viscosidade de forma significativa. Acima de 100°C, a oxidação acelera e a vida útil do lubrificante cai de maneira expressiva.
O RSG é a linha de Redutores de Velocidade Padronizados (Renk Standard Gearboxes) da Zanini Renk, desenvolvida com projeto modular e grande capacidade de configuração para diferentes aplicações industriais. A versão "For Mining" é uma variante específica dessa linha, com uma arquitetura de componentes desenhada para as condições da mineração.
A base reforçada absorve melhor as cargas de choque e vibração sem transmitir deformação para o interior da carcaça. As engrenagens são fabricadas em aços-liga cementados e retificados com precisão, como o aço 18CrNiMo7-6, que combina elevada resistência à fadiga superficial com boa tenacidade ao núcleo. Esse tipo de material aguenta ciclos de carga que fragmentariam engrenagens de aço carbono comum.

O que distingue o RSG For Mining dos redutores convencionais é a integração de sistemas que trabalham juntos para manter o redutor operando dentro de parâmetros seguros, mesmo em regime contínuo e em ambiente adverso.
A arquitetura inclui:
Cada um desses sistemas resolve um dos três problemas fundamentais da operação severa: o trocador atua na temperatura, a filtragem atua na contaminação, e o monitoramento transforma dados em decisões de manutenção. Juntos, eles mudam o perfil de degradação do redutor ao longo da vida útil.
O sistema de Forced Cooling do RSG For Mining opera como um trocador de calor ar/óleo acoplado ao circuito de lubrificação do redutor. O óleo aquecido pelo engrenamento é continuamente retirado da carcaça, resfriado no trocador e reinjetado no sistema já dentro da faixa de temperatura segura. A ventilação forçada dupla complementa esse processo, removendo o calor da carcaça de forma ativa.
Ao manter a temperatura do óleo dentro de uma faixa estável (independentemente da temperatura ambiente ou da carga aplicada) o sistema elimina os chamados hot spots, que são pontos localizados de superaquecimento que costumam se formar nos mancais de saída de redutores convencionais em carga plena.
Temperatura controlada significa, diretamente, maior vida útil do lubrificante. Um óleo que opera consistentemente abaixo de 70°C tem um comportamento de degradação muito diferente de um que oscila entre 85°C e 110°C conforme a variação de carga. No primeiro caso, o intervalo entre trocas é mais longo e a qualidade da película lubrificante permanece estável. No segundo, o óleo oxida mais rápido, perde viscosidade e deixa de proteger adequadamente as superfícies dos rolamentos e das engrenagens.
Partículas com dureza superior à do aço dos componentes como sílica e óxidos metálicos presentes na poeira de mineração agem como abrasivo de três corpos na interface entre os elementos rolantes e as pistas dos rolamentos. O resultado é desgaste acelerado, que gera mais partículas metálicas, que contaminam ainda mais o óleo, num ciclo que se autoalimenta.
O sistema de filtragem contínua do RSG For Mining interrompe esse ciclo. O óleo circula permanentemente por um conjunto de filtros que retém partículas antes que elas completem o circuito e retornem aos pontos de contato dos componentes internos. O padrão ISO 4406 — que classifica a contaminação em três dígitos representando partículas maiores que 4 µm, 6 µm e 14 µm — pode ser controlado de forma ativa nesse sistema, o que é simplesmente inviável com lubrificação por banho sem circulação forçada.
O controle inteligente da lubrificação integra sensores que monitoram, em tempo real:
Esses sensores operam em conjunto com indicadores visuais locais e saídas eletrônicas que podem ser integradas ao sistema supervisório da planta. O gestor de manutenção não precisa esperar a ronda periódica de inspeção para saber se o redutor está operando dentro dos parâmetros, o próprio equipamento reporta sua condição continuamente.
O conceito que a Zanini Renk aplica no RSG For Mining é o de Smart Gearbox, um redutor que além de cumprir seu papel como transmissor de força mecânica, é também um ativo monitorado, capaz de reportar sua própria condição operacional em tempo real.
Com o monitoramento integrado, o planejamento de intervenção passa a ser orientado pelo estado real do equipamento. Essa abordagem é compatível com estratégias de manutenção preditiva e com a integração a sistemas supervisórios (SCADA, DCS, ou plataformas de gestão de ativos como CMMS).
O Field Assist 4.0 da Zanini Renk, serviço de análise de vibração e óleos lubrificantes com sensores wireless e dashboard online, pode ser aplicado em conjunto com o RSG For Mining para aumentar ainda mais a granularidade do monitoramento, adicionando análise espectral de vibração, identificação de padrões de falha incipiente e tendências de longo prazo.
Para uma operação de mineração que precisa de disponibilidade máxima dos seus equipamentos, a combinação de um redutor com arquitetura adequada e monitoramento contínuo é o que permite planejar manutenções programadas no lugar de reagir a falhas. Paradas não programadas em mineração custam:
As principais aplicações do RSG For Mining em mineração cobrem equipamentos com perfis de carga bem distintos:
TCO, Total Cost of Ownership, ou Custo Total de Propriedade, é o custo acumulado de um ativo ao longo de toda a sua vida útil, não apenas o preço de compra. Inclui manutenção preventiva e corretiva, troca de componentes (rolamentos, vedações, óleo), mão de obra de intervenção, custos logísticos de parada e as perdas de produção associadas ao tempo em que o equipamento ficou fora de operação.
Para redutores em mineração, a diferença entre um equipamento convencional e um com arquitetura adequada aparece com clareza no TCO. Os ganhos mais mensuráveis do RSG For Mining são:
A análise de TCO justifica o investimento numa solução mais completa porque o diferencial de preço na compra geralmente representa uma fração pequena do custo evitado ao longo de cinco, dez ou quinze anos de operação.
A especificação correta de um redutor para aplicação em mineração envolve alguns critérios que vão além do torque nominal. O engenheiro de planta ou o gestor de manutenção que vai especificar precisa ter clareza sobre cada um deles:
A Zanini Renk oferece suporte técnico de engenharia para esse processo de especificação como parte do processo de garantir que o equipamento entregue desempenho e durabilidade nas condições reais da planta.
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